Fragmentos do Livro “Filoteia” de São Francisco de Sales (1)

1.       Caridade e Devoção


"A verdadeira devoção, Filoteia, pressupõe o amor de Deus, ou, melhor, ela mesma é o mais perfeito amor a Deus. Esse amor chama-se graça, porque adereça a nossa alma e a torna bela aos olhos de Deus. Se nos dá força e vigor para praticar o bem, assume o nome de caridade. E, se nos faz praticar o bem frequente, pronta e cuidadosamente, chama-se devoção e atinge o maior grau de perfeição. [...] A devoção não é nada mais do que uma agilidade e viveza espiritual, da qual ou a caridade opera em nós, ou nós mesmos, levados pela caridade, operamos todo o bem de que somos capazes.

A caridade nos faz observar todos os mandamentos de Deus sem exceção, e a devoção faz com que os observemos com toda a diligência e fervor possíveis. [...] E como a devoção consiste essencialmente num amor acendrado, ela nos impele e incita não somente a observar os mandamentos da Lei de Deus, pronta, ativa e diligentemente, mas também a praticar as boas obras, que são apenas conselhos ou aspirações particulares. [...] Por fim a caridade e a devoção não diferem mais entre si do que o fogo da chama; a caridade é o fogo espiritual da alma, o qual, quando se levanta em labaredas, tem o nome de devoção, de sorte que a devoção nada acrescenta, por assim dizer, ao fogo da caridade além dessa chama, pela qual a caridade se mostra pronta, ativa e diligente na observância dos mandamentos de Deus e na prática dos conselhos espirituais celestes."

 


2.       Viver com Devoção


"... Filoteia, o mundo anda a difamar diariamente a santa devoção, espalhando por toda parte que ela torna os espíritos melancólicos e os caracteres insuportáveis e que, para persuadi-se, é bastante contemplar o semblante enfadonho, triste e pesaroso das pessoas devotas. [Mas...] todos os santos, animados do Espírito Santo e da palavra de Jesus Cristo, asseveram que a vida devota é suave, aprazível e ditosa. [...] O mundo não vê a devoção interior, que torna tudo agradável, doce e fácil. [...] Confessamos à puridade, alma mundana, que no começo muitas amarguras encontram as pessoas devotas nos exercícios de mortificação e penitência, mas com o tempo e a prática essas amarguras se vão mudando em suavidades e delícias. [...] Na verdade, a devoção sazona todas as coisas com uma afabilidade extrema; atenua o amargor das mortificações; preserva o pesar dos pobres; consola os oprimidos; humilha o orgulho na propriedade; soleva o enjoo da solidão; tornam recolhidos os que andam a lidar com o mundo; é para nossas almas o que o fogo é no inverno e o orvalho no verão; faz-nos moderados na abundância e pacientes no sofrimento e pobreza; tira proveito tanto das honras como dos desprezos; enfrenta com a mesma disposição o prazer e a dor, e inunda a nossa alma de uma admirável suavidade.
[...]
Crê-me, Filoteia, que a devoção é a rainha das virtudes, sendo a perfeição da caridade, [...] exala por toda parte um odor de suavidade que conforta o espírito do homem e alegra os anjos."



3.       Não Devemos Sufocar Nossa Vocação Por Causa de Devoção


"A prática da devoção tem que atender à nossa saúde, às nossas ocupações e deverea particulares.
[...] A verdadeira devoção nada destrói; ao contrário, tudo aperfeiçoa. Por isso, caso uma devoção impeça os legítimos deveres da vocação, isso mesmo denota que não é uma devoção verdadeira. A abelha, diz Aristóteles, tira o mel das flores, sem as murchar, e as deixa intacta e frescas como as achou; a devoção verdadeira faz mais, porque não só em nada estorva o cumprimento dos deveres dos diversos estados e ocupações da vida, mas também os torna mais meritosos e lhes confere o mais lindo ornamento.
[...]
Abraão, Isaac, Jacó, Davi, Jó, Tobias, Sara, Rebeca, Rebeca, Judite, [...] #SãoJosé, Lídia e São Crispim levaram uma vida devota com trabalhos manuais, Santa Ana, Santa Marta, Santa Mônica, [...], nos trabalhos de casa, o centurião Cornélio, São Sebastião e São Maurício, no exército, o grande Constantino, Santa Helena, São Luís, [...] em seus tronos."

 


4.       A importância de ter um BOM diretor espiritual



"Se tens uma vontade sincera de entrar nas veredas da devoção, procura um guia sábio e prático que te conduza. [...] Pede com todo fervor a Deus que te mande um segundo o seu coração e não duvides nem um instante que ele te enviará um diretor sábio e fiel [cheio de caridade, ciência e prudência], ainda que fosse um anjo do céu, como ao jovem Tobias. [...] Quando o achares, agradece à Divina Majestade; persevera então em tua escolha, sem ir procurar outros; caminha para Deus com toda simplicidade, humildade e confiança e tua vontade será certamente feliz."

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