Fragmentos do Livro “Filoteia” de São Francisco de Sales (2)

5. É Preciso Purificar, Curar a Alma


"Logo que eles [os bons desejos] despertam em nossos corações, é preciso envidar todo esforço para purifica-los de todas as obras mortais e supérfluas. Serve isso de lição à almaque aspira à honra de ser esposa de Jesus Cristo, a qual se deve despojar do homem velho e se revestir do novo, deixando o pecado e em seguida ir cortando com os demais impedimentos acessórios que podem ser um empecilho para o amor.
[...]
A cura da alma, Filoteia, assemelha-se à dor do corpo; é vagarosa, vai progredindo gradualmente, aos poucos, com muito custo e intervalos; mas neste passo lento ela é tanto mais segura.
[...]
Um outro extremo, igualmente perigoso, é o de certas almas que, deixando-se seduzir por uma tentação contrária, desde os primeiros dias se têm na conta de livres de suas inclinações más, que já pensam ser perfeitas antes de fazer algum progresso e que, arrojando-se a voar sem asas, elevam-se ao que há de mais sublime na devoção.
[...]
A alma que surge do pecado para uma vida devota pode-se comparar ao despontar do dia, que não dissipa as trevas num instante, mas pouco a pouco, quase imperceptivelmente.
[...] Não nos devemos perturbar à vista de nossas imperfeições, porque a luta contra elas não pode nem deve acabar antes da morte. A nossa perfeição consiste em combatê-las; mas não as podemos combater e vencer sem que as sintamos e conheçamos; a própria vitória que esperamos conseguir sobre elas, de modo algum consiste em não as sentir, mas exclusivamente em não consentir nelas."

6. Purificação através do Sacramento da Confissão


"Libertar-se do pecado deve ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração, e o meio de fazê-lo se depara no Sacramento da #Penitência. [...] Depois do exame [de consciência], detesta e abomina os pecados cometidos, pela contrição mais viva e perfeita que podes suscitar em ti, considerando estes motivos valiosíssimos: que pelo pecado perdeste a graça de Deus, abandonaste os teus direitos do céu, merecestes as penas eternas do inferno e renunciaste a todo o amor de Deus.
[...]
A confissão geral nos dá um conhecimento mais perfeito de nós mesmos; nos enche duma salutar confusão em vista de nossos pecados; livra o espírito de muitas inquietações; tranquiliza a consciência, excita-nos a bons propósitos; faz-nos admirar a misericórdia de Deus, que nos tem esperado com tanta paciência e longanimidade; abre o fundo de nossa alma aos olhos do nosso pai espiritual, de sorte que este nos possa dar avisos mais salutares; facilita-nos a confessar futuramente os pecados com mais confiança"


7. É Preciso Detestar o Pecado


"Há muitos penitentes que efetivamente saem do pecado, porém não lhe perdem afeto [...]. Passam algum tempo sem pecado, mas com pesar; muitos estimariam poder pecar se não fossem condenados por isso; falam do pecado com um certo gosto que o vão prazer lhes proporciona e pensam sempre que os outros se satisfazem e deleitam cometendo-o. [...] Ah! quão enredado está o coração deste mísero homem pela afeição ainda que livre do pecado [...].
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Portanto, Filoteia, uma vez que aspiras sinceramente à devoção, não só deves deixar o pecado, mas é também necessário que teu coração se purifique de todos os afetos que lhe foram as causas e são presentemente as consequências; pois, além de constituírem um contínuo perigo de recaídas, enfraqueceriam a tua alma e te abateriam o espírito - duas coisas que, como deixei dito - são irreconciliáveis com a vida devota. Essas almas, que, tendo deixado o pecado, são tíbias e vagarosas no serviço de Deus, assemelham-se a pessoas que têm cor pálida: não é que estão verdadeiramente doentes, mas bem se pode dizer que seu aspecto, seus gestos e todas as suas ações estão doentes."

8. A Pureza Gera o Ódio ao Pecado


"É necessário formar uma ideia viva e a mais perfeita possível do mal imenso que traz o pecado, a fim de que o coração se compunja e desperte em si uma contrição veemente e profunda. [...] O penitente que odeia de leve os seus pecados e tem uma contrição fraca, se bem que verdadeira, fácil e sinceramente se determina e propõe a não os cometer de novo; mas, se seu ódio é vivo e profunda a sua dor, não só detesta o pecado, mas abomina também os hábitos maus e tudo aquilo que o pode atrair e servir-lhe de ocasião de pecar. É, pois, necessário, Filoteia, que dês à dor de teus pecados a maior intensidade e extensão de que fores capaz, para que abranjas até as mínimas circunstâncias do pecado."



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