Dia 10: O Inferno (Consagração a Nossa Senhora)



“Atai-lhe pés e mãos e lançai-o fora nas trevas. Aí haverá pranto e ranger de dentes. Pois são muitos os convidados e poucos os escolhidos” (Mt 22, 13-14).

Infelizmente o mundo mais moderno perdeu o medo (diria até a crença) no inferno, na triste condição de “morte eterna”. Parecemos esquecer que passaremos por um julgamento final e definitivo, onde será traçado nosso destino eterno.

A condição do inferno não é querida por Deus. Não! Deus “enviou seus servos para chamar os convidados ao casamento, mas estes não quiseram ir” (Mt 22, 3). Deus nos envia o tempo inteiro anjos e santos que não cansam de interceder por nós e nos chamar para o céu, mas não damos ouvidos a eles e teimamos em nos apresentar com trajes inapropriados (cf. Mt 22, 11).

O que seriam esses trajes inapropriados se não os nossos vícios, os nossos pecados? Precisamos nos despojar por completo de tudo no mundo para podermos entrar no céu. Nosso Senhor, em sua Paixão, antes de ser crucificado, passou pelo despojamento das suas vestes mundanas, sinalizando-nos que para vencermos com Ele deveremos nos desprender de tudo e que isso faz parte do caminho da salvação.

Diz Tomas de Kempis em Imitação de Cristo, no capítulo 24:

“Que outra coisa há de devorar aquele fogo senão os teus pecados? Quanto mais te poupas agora e segue a carne, tanto mais cruel será depois o tormento e tanto mais lenha ajuntas para a fogueira”.

E nos alerta para passarmos aqui, neste mundo, através das mortificações e do sofrimento de irmos contra nossas vontades viciadas:

“Experimenta agora o que podes sofrer mais tarde. Se não podes agora sofrer tão pouca coisa, como suportarás os eternos suplícios? Se tanto te repugna o menor incômodo, que te fará então o inferno? Certo é que não podes fruir dois gozos: deleitar-te neste mundo, e depois reinar com Cristo”.

Meditar sobre o inferno - lugar de tormentos e, pior, do grande tormento que é a perda de Deus e do amor de Maria - nos enche de salutar horror ao pecado e ao espírito do mundo.

Imagine passar a eternidade ouvindo prantos, blasfêmias, lamentações sem remédio, gritos de desespero. Imagine passar a eternidade sentindo cheiros terríveis de podridão e gosto de coisas imundas. Imagine passar a eternidade sentindo sede, sentindo o queimar do fogo, nas trevas, imóvel, na companhia dos demônios e sofrendo injúrias (cf. D Antônio Maria Alves de Siqueira, Consagração a Nossa Senhora). Pelo menos a mim causa horror só de pensar...

O inferno é uma realidade atestada pela Igreja no decorrer dos séculos, desde seu início. Jesus, nos Evangelhos, falou bastante sobre os demônios e sofre o inferno. Nós, católicos, não podemos ignorar essa realidade ou pensar que é apenas uma figura de linguagem. É uma realidade eterna e não podemos brincar com nossa alma, não podemos negligenciar.



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