Dia 13: O Pecado em Nossa Vida Espiritual (Consagração a Nossa Senhora)



“Reconhece que és indigno da consolação divina, mas antes merecedor de muitas aflições. [...] Matéria de justa mágoa e profundo pesar são nossos pecados e vícios, aos quais de tal sorte estamos presos, que raras vezes podemos contemplar as coisas do céu” (Imitação de Cristo, Liv 1, Cap 21).

Após analisarmos o mundo e a influência que este tem em nós, agora precisamos conhecer o que de fato somos para que possamos nos emendar. O pecado original nos deixou manchas, inclinação ao pecado e aos vícios que nos aprisionam e nos seduzem a ofender a Deus em troca de satisfações nossas. Somente reconhecendo nossa pequenez, nossa miséria, poderemos dar “frutos válidos de arrependimento” e gerar bons frutos para não sermos ceifados e lançados ao fogo (cf. Mt 3, 8 e 10). Assim como os fariseus tinham a pretensão de serem salvos por terem Abraão como pai, muitos cristãos também têm a mesma pretensão somente por ser batizado.

“Todo o homem era sem trevas, beleza sem defeitos, pureza sem nódoa, ordem sem desvios, nenhuma imperfeição, mancha alguma. [...] Com a graça de Deus na alma, era inocente e agradável aos olhos do Altíssimo. No seu corpo, a imortalidade. [...] Mas, ai, desgraça das desgraças! [...] O homem peca, e em seu pecado, perde a sabedoria, a inocência, a beleza, a imortalidade. Perde todos os bens que recebera e é avassalado por uma onda de males. Agora tem o Espírito entenebrecido e nada vê. O coração gélido em face de Deus, já não o ama. A alma negra de pecado; as paixões desordenadas” (São Luís de Montfort).

“Nossas melhores ações são, de ordinário, manchadas e corrompidas pelo egoísmo que já em nós. Quando se coloca água limpa e clara em um vaso sujo, ou vinho num recipiente azedado por outro vinho, a água pura e o bom vinho se estragam e tomam o mal odor das vasilhas. Assim também quando Deus coloca no vaso de nosso coração estragado pelo pecado original e atual, suas graças e orvalhos celestes ou o vinho delicioso de seu amor, seus dons são, de ordinário, estragados e manchados pelo mau fermento e fundo perverso que o pecado deixou em nós” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira).

Por isso que passamos 12 dias meditando o mundo para nos livrarmos dele! Para termos o firme propósito de limparmos, através da graça de Deus e a intercessão de Maria, essa completa imundice que é o nosso coração. Ao entregarmos tudo a Maria, ela como Mãe, sabe o que agrada o Filho e poderá adornar nossos “presentes” que são manchados. Ela limpa destes as sujeiras, como o egoísmo e a vaidade, que mancham até nossas pequenas ações de caridade.

“Se queres fazer algum progresso, conserva-te no temor de Deus e não busques demasiada liberdade; refreia, antes, todos os teus sentido com a disciplina e não te entregues à vã alegria. Procura a compunção do coração e acharás a devoção. A compunção descobre tesouros, que a dissipação bem depressa costuma desperdiçar. [...] Pela leviandade do coração e pelo descuido dos nossos defeitos não percebemos os male de nossa alma” (Imitação de Cristo).

Maria conhece esses males de nossas almas, ela como Mãe do céu, vendo Deus face a face e conhecendo o Filho Juiz, nos conhece melhor que nós mesmos. Sabe que aquela esmola que demos foi para aparecer ou para nos sentirmos melhor, sabe que dificilmente daríamos por sacrifício, sabe que só demos por que de fato não nos fará falta. Sabe que aquela atitude piedosa em frente ao Santíssimo foi também para alimentar a nossa vaidade. Sabe daquela oração mais fervorosa que fazemos em público para nos mostrarmos mais fiéis. Sabe daquela pregação maravilhosa que preparou para que possam te elogiar. Enfim, sabe de todo tipo de mancha que colocamos em nossas boas ações, manchas devido ao pecado o qual estamos, ainda, presos, mas que com a graça de Deus vamos nos libertando através das orações e penitências.



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