Dia 14: Nossos Maus Hábitos (Consagração a Nossa Senhora)



“Abstende-vos do fermento dos fariseus e saduceus. Então entenderam que não falava de abster-se do fermento do pão, mas do ensinamento de fariseus e saduceus” (Mt 16, 11-12).

O fermento age como uma espécie de “influência” ao que está ao seu redor, “contaminando” o que está próximo, de forma escondida e silenciosa. Podemos comparar ao ditado “uma laranja podre pode pôr a perder o saco inteiro”. Umas das poucas vezes que vemos Jesus irritado no Evangelho é exatamente quando repreende veementemente a hipocrisia, o aparentar ser o que não é. “Sepulcros caiados” é como Jesus se refere aos fariseus. Ou seja, por fora aparenta ser belo, íntegro, puro, mas por dentro é um antro de podridão (cf Mt 23,27).

Devemos tomar cuidado para não nos deixarmos influenciar por esse fermento que degrada. Podemos considerar como fermento tanto nossa inclinação para o mal (concupiscência) como a influência que o mundo tem diante que nós, que também é fortalecida por nossa concupiscência.

Por causa dessa nossa deplorável tendência, “não podemos confiar muito em nós. [...] Pouca luz temos em nós e facilmente a perdemos por negligência. [...] Às vezes nos move a paixão, e pensamos que é zelo. Repreendemos nos outros as faltas leves e nos descuidamos das nossas maiores” (Imitação de Cristo, Liv 2, Cap V).

Diz D. Antônio Maria Alves de Siqueira no seu livro de preparação para consagração a Nossa Senhora:

“O pecado original deixou em nossa inteligência uma vulneração de efeitos lastimáveis. Temos dificuldade de entender as coisas de Deus, saber a verdadeira destinação de nossa vida, aceita a submissão, a docilidade, a obediência a Deus e a seus representantes na terra. E nos inclinamos antes para as coisas sensíveis, nossa mente como que se entorpece, [...] é para nós mesmos que nos orientamos esquecidos de Deus e de seus direitos, deleitando-nos num amor excessivo e ilegítimo de nós mesmos, na tutela feroz de nossos pretensos direitos. E somos soberbos, orgulhosos, cheios de presunção”.

Na consagração nos propomos a mudarmos a partir de dentro, entregando tudo a Maria e a confiar só nela. Desconfiamos de tudo que podemos fazer. Não falo de incompetência ou impossibilidade de realizar, mas de julgarmos se o que estamos fazendo é bom ou ruim. Ordinariamente até a ação mais simples é manchada com intenção impura, principalmente relacionada à vaidade e ao egoísmo. Entregando tudo a Maria não temos direito a nada, tudo que fazemos é sob o olhar dela, com ordens dela. Não temos mais o direito de beber um copo de água se não for autorizado por Nossa Senhora.

Alguém tem alguma dúvida que agindo dessa forma ela certamente só nos dará ordens para o nosso bem e para maior glória do Filho? Diz São Bernardo: “Quando Maria vos sustenta, não cais; quando vos protege, nada temeis; quando vos conduz, não vos fatigais; quando vos é propícia, chegais ao porto de salvação”.

Enfim, nos entregando como escravos de amor a Maria, estaremos trabalhando a nossa vida e transformação interior. “O homem interior antepõe o cuidado de si a todos os outros cuidados” (Imitação de Cristo). Nessa consagração, tomando cuidado com nós mesmos, estaremos nos abstendo do “fermento dos fariseus e saduceus”.

“Grandes progressos farás, se te conservares livre de todo cuidado temporal; muito te atrasará o apego a alguma coisa temporal. Nada te seja grande, nobre, aceito ou agradável, a não ser Deus mesmo ou o que for de Deus” (Imitação de Cristo).




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