Dia 15: Consequência dos Nossos Maus Hábitos (Consagração a Nossa Senhora)



“Aquele a quem eu der um pedaço de pão molhado. Molhou o pão e o deu a Judas, de Simão Iscariotes. Atrás do bocado, entrou nele Satanás. Jesus lhe diz: O que tens de fazer, faze-o logo. Nenhum dos comensais compreendeu porque o dizia. Alguns pensaram que, como Judas tinha a bolsa, Jesus o tivesse encarregado de comprar o necessário para a festa ou que desse algo aos pobres” (Jo 13,26-29)

Como consequência dos nossos pecados, ficamos insensatos, bobos, idiotas, não conseguimos compreender o que Deus nos fala. Um discípulo em posição de honra, o predileto, que estava ao lado direito (lado direito é símbolo de posição de honra), ou seja, que está bem próximo de Jesus e que Jesus tem um grande apreço, faz-lhe uma pergunta. Porém, ninguém compreendeu o que Jesus quis dizer e, deixando-se levar pelas impressões próprias, pensou outra coisa que não tinha relação com a Verdade.

Assim somos nós quando cometemos pecados. Apesar de estarmos em contato com Jesus, de comungarmos, de fazermos uso dos sacramentos, de lermos diariamente o Evangelho e estudarmos constantemente, os nossos pecados embotam nossa mente e não conseguimos entender corretamente o que Jesus nos fala. Começamos a dar interpretações erradas das Escrituras, tendendo a adaptá-la às nossas paixões desordenadas.

“Todas as vezes que o homem desejar alguma coisa desordenadamente, torna-se logo inquieto. [...] O homem que não é perfeitamente mortificado facilmente é tentado e vencido, até em coisas pequenas e insignificantes” (Imitação de Cristo, Liv 1, Cap 6). Satanás entrou em Judas através de um pedaço de pão molhado. Judas, que cuidava do dinheiro, tinha a ganância, a avareza, como vício, tanto que entregou Jesus por dinheiro, que certamente abriu a porta para o demônio.

Judas, depois, com o dinheiro em mãos e depois de entregar Jesus sofreu forte remorso e se matou. Após conseguir o que temporariamente desejava, viu que aquilo não satisfazia a sua real necessidade, sentiu na pele que não é satisfazendo suas paixões desordenadas que vai encontrar a verdadeira tranquilidade de espírito, que vai se satisfazer verdadeiramente. É “em resistir, pois, às paixões, [que] se acha a verdadeira paz do coração, e não em segui-las” (Imitação de Cristo).

Outra consequência dos nossos pecados é a perda da capacidade de amar, dificultando (e até impossibilitando) nos aproximarmos de Jesus para seguí-lo. Nosso senhor nos diz: “Eu vos dou um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei; amai-vos assim uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35).

Nos tornamos orgulhosos. “O mau hábito do orgulho nos volta para nós mesmos, na consideração de nossa falsa excelência. O primeiro fruto dessa atitude soberba é o esquecimento de Deus. [...] O segundo fruto da soberba é o esquecimento do próximo. [...] Como se fôssemos o centro do universo, em palavras, opiniões e atitudes...” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira).

Como seguir Jesus, como ser discípulo de Jesus, esquecendo de Deus e do próximo se o próprio Jesus nos disse que os Seus discípulos serão reconhecidos pelo amor de uns para com os outros?




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