Dia 16: O Abismo do Nosso Nada (Consagração a Nossa Senhora)



“Aquele que se conhece bem despreza-se e não se compraz em humanos louvores” (Imitação de Cristo, Liv 1, Cap 2).

Sem Deus, nada somos. Viemos do nada e por graça divina nos tornamos “algo”, ganhamos o nosso “ser” que é sustentado pela graça de Deus. Sem Deus, somos “cegos, coxos e mutilados” (Jo 5,3). Cegos porque sem fé não conseguimos ver a Realidade (com “R” maiúsculo). Coxos porque não conseguimos caminhar sozinhos. Mutilados porque sem Deus, o ser humano perde sua humanidade, fica “faltando algo”.

Mas, assim como aquele “homem que estava enfermo a trinta e oito anos” Jesus voltou-se para ele e o convidou a se curar (cf Jo 5, 5-6), Nosso Senhor nos convida constantemente a nos curarmos através de sua Palavra, seu Exemplo, seu Evangelho. Somente assim poderemos nos levantar, tomar nosso leito e andar curados.

“Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensatamente quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem À alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus” (Imitação de Cristo). Como somos insensatos em buscar conhecimentos frívolos! Ficar ocupando a mente com um monte de bobagens jornalísticas que nada tiramos de bom, muito pelo contrário, desperta nossas paixões como avareza, inveja, luxuria e etc....

O adquirir conhecimento mundano é bom para o mundo, pode ser bom para vivermos nele, mas se não nos apontar para Deus, vão é este conhecimento que só servirá para que nos achemos mais donos da verdade, para que despejemos nos outros uma sabedoria e atrairmos para nós elogios que alimentam nossa vaidade.

“Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. [...] Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada. [...] Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros prova é de grande sabedoria e perfeição. [...] Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo” (Imitação de Cristo).

O enfermo do quinto capítulo do Evangelho escrito por São João nos mostra que Jesus vem ao nosso encontro e realiza milagres, mas devemos reconhecer que somos incapazes, que somos totalmente dependentes uns dos outros e, principalmente, dependentes da graça de Deus: “Senhor, não tenho ninguém que me coloque na piscina. [...] Levanta-te, toma o teu leito e caminha. Imediatamente esse homem ficou curado, pegou o leito e põe-se a andar” (Jo 5,7).

 “Consideremos o abismo do nosso nada, a nossa fragilidade e a nossa ignorância, que nos põem como paralíticos entrevados, de todo incapazes de qualquer bondade. À luz da grandeza de Nossa Senhora, melhor aprenderemos a imensidade de nossa miséria, e nos desprezaremos, confiando doravante somente em Deus, por Maria” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira). O paralítico de Betesda enquanto confiou em si e somente na bondade humana, permaneceu trinta e oito anos paralisado, mas bastou uma iniciativa com a graça de Deus para ele se ver curado e livre, independente em Deus, não independente por si, mas por Jesus.



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