Dia 18: Necessidade de Mediadores (Consagração a Nossa Senhora)



“Tu dás testemunho em teu favor: teu testemunho não é válido” (Jo 8,13)

Embora esta frase presente no Evangelho de São João seja de um fariseu que direciona para Jesus, Ele não a invalida, pelo contrário, confirma. Porém, ele não se enquadra, pois é o próprio Juiz, tem testemunho do Pai, sabe de onde vem e para onde vai e, principalmente, não julga segundo critérios humanos: “Embora eu dê testemunho em meu favor, meu testemunho é válido, pois sei de onde venho e para onde vou. [...] Vós julgais segundo critérios humanos. [...] Em vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é válido. Eu sou testemunha em minha causa, e é testemunha também o Pai que me enviou” (Jo 8, 14-15; 17-18).

Nós, porém, sequer sabemos de onde viemos e sabemos menos ainda para onde vamos. Sabemos, pela luz da fé e da esperança, para onde podemos ir, mas isso depende inteira e exclusivamente da graça e da misericórdia de Deus. “Abandonado a mim mesmo, sou um puro nada e a mesma fraqueza” (Imitação de Cristo, Liv 3, Cap VIII). Por isso precisamos nos humilharmos e vermos nossa indignidade diante do Juiz.

“Mas, se me tiver por vil e me aniquilar, deixando toda a vã estima de mim mesmo, e me reduzir a pó, que sou na verdade, ser-me-á propícia a vossa graça, e a vossa luz há de vir em meu coração, e todo sentimento de amor-próprio, por mínimo que seja, perder-se-á no abismo do meu nada e perecerá para sempre” (Imitação de Cristo).

Deus em toda história de salvação nos enviou muitos mediadores, sacerdotes, profetas e santos. No ápice de seu amor, na hora da morte, na cruz, nos deu a mediadora mais excelente que poderíamos ter, nos deu como Mãe Maria Santíssima. Seria uma completa falta de humildade rejeitarmos tamanha bondade divina que é a intercessão dos santos e a mediação de Nossa Senhora perante Jesus.

Segundo São Luís, em seu tratado de devoção a Nossa Senhora: “Ela era cheia de graça quando foi saudada pelo arcanjo Gabriel; superabundantemente cheia de Graça do Espírito Santo, quando protegida com sua sombra inefável; e foi por tal modo aumentando de dia em dia, e de instante em instante, que chegou a um grau de graça imenso e inconcebível, de modo que o Altíssimo fê-la tesoureira de seus tesouros e única dispensadora de suas graças, para que pudesse enobrecer, elevar e enriquecer a quem quisesse, no augusto caminho do céu; para fazer passar a quem quiser, apesar de todos os obstáculos, pela porta estreita da vida; e dar o trono, o cetro e a coroa de rei a quem quiser”. Será que ela não dispensará “rios de graças” em seus fiéis escravos?

Não esqueçamos, conforme já meditamos, que “se nos apoiarmos em nossos trabalhos, indústrias e preparações para chegar até Deus e agradar-lhe, é certo que todas as nossas virtudes se acharão manchadas, ou serão de pouca valia ante o Senhor para obriga-lo a se unir a nós e ouvir-nos” (São Luís de Montfort). Deus, sabendo da "nossa indignidade e incapacidade, teve pena de nós, e para dar-nos acesso junto a suas misericórdias, dispôs para nós intercessores poderosos ante sua Grandeza” (São Luís de Montfort). Por isso, “é mais perfeito, porque é mais humilde, não nos aproximar de Deus por nós mesmos, mas tomar um Mediador” (São Luís de Montfort).





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