Dia 19: Grandeza Oculta de Maria (Consagração a Nossa Senhora)



“Sem humildade, não há virtude que possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam todas ao lhe fugir a humildade” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria).

A humildade é uma das mais importantes e necessárias virtudes, pois sem ela nada podemos fazer sem que seja gravemente manchada. É necessário humilhar-se para Deus exaltar-te. Deus resiste aos soberbos e se apega aos humildes. Foi exatamente pela falta de humildade que Lúcifer foi expulso do céu, que o pecado entrou no mundo e que Adão e Eva foram expulsos do paraíso. Não atoa, essa é, talvez, a virtude mais difícil de praticarmos.

“Para nossa natureza corrompida pelo pecado, não há talvez, como avisa S. Gregório Nisseno, virtude mais difícil de praticar que a humildade. Entretanto não há remédio: nunca poderemos ser verdadeiros filhos de Maria, se não formos humildes” (Glórias de Maria).

Maria nos mostra como é possível, pela graça divina, o homem chegar a abundância da humildade e de como Deus “premia” os humildes. “O humilde conceito de si mesma foi o encanto com que Maria prendeu o coração de Deus” (Glórias de Maria).

Conforme São Luís, em seu Tratado da Verdadeira Devoção, “a santidade, pois, que encontra graça aos olhos de Deus, não é a que brilha aos olhos do mundo, senão a que oculta no íntimo da alma e do coração”. Eis porque Maria pouco aparece nos Evangelhos e quando aparece normalmente é em situações de humildade e de humilhação. Não se viu Maria quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, mas ela estava presente na paixão de Cristo, como mãe de um condenado à morte de cruz, a mais humilhante morte para uma pessoa na época.

Foi tão grande a humildade de Maria, “que seu maior desejo, enquanto viveu na terra, era esconder-se a si mesma e a toda criatura, para não ser conhecida senão somente a Deus” (São Luís).

Já vimos que Maria foi a criatura mais agraciada que passou pela terra e, muito provavelmente, nenhuma outra criatura virá com tamanha graça. “Embora se visse enriquecida de graça que os outros todos, nunca ela se julgou acima de quem quer que fosse. Ao contrário, teve sempre modesta opinião de si mesma [...], quanto mais enriquecida se via, mais se humilhava. Lembrava-se, sem cessar, de que tudo aquilo era dom de Deus” (Glórias de Maria). Essa nítida compreensão de sua pequenez só fez aumentar o entendimento da infinita grandeza e dignidade de Deus, colocando-a numa espécie de “círculo virtuoso” em que quanto mais se humilhava, mais aumentava seu conhecimento de Deus e mais o amava, recebendo mais graças, e quanto mais graças e entendimento obtinha de Deus, mais se humilhava.

A conformidade de Maria a Jesus é tão grande que podemos dizer, junto com a Sabedoria em Pr 8, 32-36, é a própria Maria: “Portanto, filhos, escutai-me: felizes os que seguem meus caminhos. Escutei minha correção e sereis sensatos, [e não rejeiteis] feliz o homem que me escuta, vigiando a cada dia em meu portal, guardando os batentes de minha porta. Pois quem me alcança, alcança a vida e desfruta o favor do Senhor. Quem me perde, arruína a si mesmo; os que me odeiam amam a morte”

Por isso podemos afirmar, sem medo de errar, que a consagração a Nossa Senhora é a Consagração a Jesus. Consagrarmo-nos à Nossa Senhora é escutá-la, seguir seus caminhos, ser corrigidos por Ela, vigiar com Ela e, enfim, alcança-la. Fazendo tudo isso estaremos escutando Jesus, seguindo os caminhos de Jesus, seremos corrigidos por Jesus e vigiamos com Jesus para alcançar a Salvação em Jesus.


Comentários