Dia 2: O Mundo e Seu Príncipe Infernal (Consagração a Nossa Senhora)




“Depois o levou a uma altura e lhe mostrou num instante todos os reinos do mundo. O Diabo lhe disse: Eu te darei todo esse poder e sua glória porque o deram a mim, e eu dou a quem quero” (Lc 4, 5-6). É assim que o Evangelho de São Lucas se refere ao mundo que procura a glória e o poder.

O homem foi expulso do Paraíso por causa do pecado. Originalmente não somos desse mundo e o mundo nos odiará se não nos adaptarmos a ele. “Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo 15,19).

Jesus veio para nos resgatar e no episódio que foi ao deserto para ser tentado, Ele foi especificamente para nos mostrar como podemos vencer as tentações do mundo, ou seja, como agirmos para não sermos engolidos pelo mundo: “Jejuou quarenta dias e quarenta noites, e ao fim sentiu fome” (Mt 4,2). Ou seja, se retirou para a oração e fez penitência, mortificação dos sentidos mundanos. As tentações foram vencidas com a obediência à palavra de Deus e o Diabo, astuto, usou o artifício da deturpação desta palavra para tenta-lo.

Enquanto vivermos neste mundo não estaremos livres das tentações, por mais santo que possamos ser. A vida dos santos nos mostra isso. Isso ocorre “porque em nós mesmo está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos” (Imitação de Cristo, Cap 13, 3). Deus permite que sejamos tentados para que possamos ser resgatados, para nos santificarmos, para nos fortalecermos e não adianta apenas fugir delas, é preciso combater o mal que está em nós, é preciso vencê-la.

“Jesus triunfou sobre Satanás através da obediência e da auto-humilhação. [...] O triunfo é possível através da penitência e da obediência à palavra de Deus. Ao invés de poder e alimento terrenos, os fiéis devem desejar alimentar-se com a vontade de Deus e a humildade de Cristo” (Hahn e Mitch, O Evangelho de Mateus).

“Cada qual pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas ‘anda por toda parte em busca de quem possa devorar’ (1Pd 5,8)” (Imitação de Cristo, Cap 13, 1). Foi só Jesus sentir fome, fraqueza de nossa carne, que o Diabo apareceu para tentá-lo, com nós acontecerá a mesma coisa. Basta fraquejarmos diante de qualquer coisa do mundo que o inimigo aparecerá para nos tirar de Deus, para reduzir a glória de Deus.

Portanto, “devemos vigiar, principalmente no princípio da tentação; porque mais fácil nos será vencer o inimigo, quando não o deixamos entrar na alma” (Imitação de Cristo, Cap 13, 5).

Quando nos consagramos, ou seja, quando temos o verdadeiro propósito de lutarmos contra as ações do mundo nos fazendo escravos de Maria (e, consequentemente, ela nos eleva ao status de filhos), ela se torna nosso escudo, nossa defensora, ela nos coloca debaixo de seu manto protetor. A tentação nos chama para sair debaixo desse manto e ficamos altamente vulneráveis. Estar debaixo do manto materno de Nossa Senhora significa estar em oração e fazendo penitência, atos de reparação e mortificação.

Deus só criou a inimizade entre Maria e a serpente, entre os filhos de Maria e os filhos do demônio. A inimizade, ódio e antipatia entre eles faz com que o demônio persiga, até o final dos tempos, todos os filhos de Maria. Perseguição que muitas vezes tem a aparência de amizade, de seduzir-nos a sermos tolerantes com o que deveria ser intolerável (o pecado), sempre com o propósito de nos tirar do manto protetor da Santíssima Virgem e assim nos tornarmos mais vulneráveis.

“Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que estes mais [...] um só de seus suspiros em favor de uma pessoa, do que as orações de todos os santos, e uma só de suas ameaças, mais do que todos os outros tormentos” (São Luís Montfort, Tratado). Por isso Satanás faz de tudo para evitar que nos coloquemos sob a proteção de Maria e nos seduz para sairmos de debaixo da proteção de Nossa Mãe Santíssima.



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