Dia 20: Maria e a Santíssima Trindade (Consagração a Nossa Senhora)



“Como Maria, nenhuma outra criatura, abaixo da natureza do Verbo Encarnado, teve tão íntima comunicação com Deus. Deus Pai comunicou-lhe sua Divina fecundidade, Deus Filho a elegeu por sua verdadeira Mãe, Deus Espírito Santo nela produziu a Encarnação, sua obra máxima. Também nós, para nos unirmos a Deus, havemos de buscar Nossa Senhora, para recebermos a filiação do Pai, a Redenção de Jesus, a santificação do Espírito Santo” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira, Consagração a Nossa Senhora).

A proposta dessa segunda semana de preparação para a Consagração a Nossa Senhora é conhecermos Maria. A passagem acima do D. Antônio resume muito bem quem é Maria e como tudo o que ela é só é por causa da graça que encontrou diante de Deus: “Alegra-te, favorecida, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28).

Em sua perfeita humildade, ela se perturba, não entende como poderia uma mulher tão pequena e escondida encontrar tanta graça diante de Deus, mesmo ela tendo por toda a sua vida se dedicado exclusivamente a Deus. Como poderia ela, de uma cidade humilde, ser chamada a ser “Mãe do Verbo Encarnado”, “Sacrário do Espírito Santo”? Como poderia vir Deus tomar seu corpo para gerar o corpo do Redentor?

“Nada é impossível para Deus” (Lc 1, 37). Um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de culpa e que por nenhum instante fosse escrava de Lúcifer, ou seja, não poderia ter pecado algum, nem o original. Daí tiramos uma das razões da necessidade da Imaculada Conceição para a salvação do homem.

Maria em momento algum duvidou do poder de Deus. A pergunta “Como acontecerá isso se eu não convivo com homem algum” (Lc 1,34) não se trata de uma dúvida do poder de Deus, como aconteceu no anúncio de João Batista, mas sim de um sentimento de indignidade, de incapacidade de cumprir tamanha missão. Mas, “quando Deus eleva alguém a uma alta dignidade, também o torna apto para exercê-la” (Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria) e daí podemos também tirar mais um argumento racional para a Imaculada Conceição e, consequentemente, que Maria não cometeu nenhum pecado durante toda a sua vida, nem o menor dos pecados veniais.

Diante disso, vem uma das frases do Evangelho que apontam para a necessidade de nos consagrarmos: “Aqui tem a escrava do Senhor. Que sua palavra se cumpra em mim” (Lc 1,38). Se consagrar é se entregar completamente e exclusivamente, tal como o fez Maria, sem pensar nas consequências que essa entrega pode gerar. Afinal, sendo Deus todo bondade, melhor, sendo Deus a própria bondade, como poderia uma obra Sua trazer um mal?

A relação de Maria com a Santíssima Trindade aponta como deve ser a nossa. Aponta como é o caminho de santificação. Nos tornamos filhos de Deus através do batismo, o Espírito Santo derrama sobre nós todas as graças necessárias para a nossa santificação, ou seja, para gerar o Cristo em nós.

O Esposo sempre vai de encontro com a sua Esposa e desta união tem o dever de ser fecunda, de gerar vida. Com Maria em nossos corações, o Espírito Santo vem ao seu encontro e gera a Vida em nós. E como ter Maria em nossos corações? Estamos nos preparando para a consagração exatamente para esta finalidade.



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