Dia 23: Ofícios de Maria a Seus Devotos (Consagração a Nossa Senhora)


“Se a todos os homens, porque seus filhos, Maria protege com desvelado carinho, Ela usa, todavia, de extremos de coração para com os que, não contentes de uma comum filiação, juram a seu amor uma dedicação interior e completa. Ela os ama singularmente. Alimenta-os e os guia, com materna tutela e proteção. Intercede por eles, com toda a eficácia de sua Onipotência de prece” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira, Consagração a Nossa Senhora).

De ordinário, toda mãe ama seu filho incondicionalmente. Mesmo que este esteja perdido, a mãe sofre e faz de tudo para que ele se reencontre. Agora, o que dizer da Mãe das mães, da Mãe que nos amou tanto que também entregou o seu Filho por nós? Obviamente, não é uma entrega como a do Pai, muito longe disso, mas Maria entregou sim seu Filho para a nossa salvação. Ela quando concebeu, já sabia que seu Filho seria o Salvador do mundo e que deveria passar por muitos sofrimentos.

Maria persiste em oração diante do Filho para nos salvar. “Desde que não lhe ponhamos obstáculos, alcança-nos essa divina Mãe o paraíso, pela eficácia de suas súplicas e de seu patrocínio” (Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria). Parafraseando Hugo Cardeal, “muitos santos acham-se no céu pela intercessão de Maria e sem ela jamais lá estariam”.

Se ela age com tanto amor com todos os seus filhos, inclusive os que a rejeitam, imagine o amor que ela tem para com aqueles que se entregam totalmente a ela, cumprindo as ordens dela (ou seja, “façam tudo que Ele vos disser”) e servem a ela livremente, por amor, e com total confiança! “O servir e ser de sua família, diz Ricardo de São Lourenço, é das honras a maior; pois, servi-la é reinar no céu, e viver sob suas ordens, é mais que reinar. Pelo contrário, prossegue, aqueles que não servem a Maria não se salvarão; porquanto, destituídos do auxílio da poderosa Mãe, ficam também privados do socorro do Filho e de toda a corte celeste” (Glórias de Maria). Rejeitar a ajuda de Maria é de uma vaidade muito grande, uma soberba semelhante à de Lúcifer, é achar que pode tudo sozinho, sem auxílio de ninguém. Portanto, a pessoa fica por sua conta e risco no mundo.

Aos que se consagram à Santíssima Virgem, ou seja, àqueles que se entregam totalmente porque se desapegaram do mundo e confiam somente em Nossa Senhora, “essa Soberana, cheia de bondade [pega nossas obras e] purifica-as embeleza-as e fá-las aceitas de seu divino Filho” (São Luís Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção).

Maria purifica as obras de todas as manchas, principalmente as manchas do amor próprio, as manchas do apego ao mundo, as manchas de esperar algo em troca. Nossa Senhora ainda adorna, embeleza, as nossas obras com seus méritos e virtudes quase infinitos. Maria “faz Jesus aceitar essas boas obras, por mais pobre e pequeno que seja o presente para esse Santo dos santos e Rei dos reis” (São Luís de Montfort). Isso porque ela todos os pontos que tocam Jesus, como Rebeca que conhecia todos os “pontos fracos” de Isaac. Quando ofertamos a Jesus alguma coisa pelas mãos de sua Mãe tocamos em seu “ponto fraco”, pois Ele “considera menos a oferta do que sua Mãe, por quem é apresentada; não olha tanto para a proveniência do presente como para Aquela que lhe serve de portadora” (São Luís Montfort).







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