Dia 3: A Tríplice Concupiscência (Consagração a Nossa Senhora)



“Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro às custas de sua vida?” (Mt 16, 26).

Quem está no mundo está sujeito a uma infinidade de formas de ser seduzido. O mundo nos oferece incontáveis promessas de felicidade, mas nenhuma delas é eterna, todas são passageiras e seque duram a vida toda. Por mais que o homem tenha acesso a esses prazeres oferecidos pelo mundo, nuca se sentirá plenamente satisfeito. Pior, praticamente todas elas nos afastam de Deus, pois acabamos transformando-as em ídolos.

Miseravelmente o homem acaba trocando a eternidade, a amizade com Deus, por segundos de prazer, algo muito momentâneo. O ser humano tem a infeliz tendência de rejeitar o que vai nos purificar, as cruzes, e a abraçar o que alimenta os nossos vícios, as nossas paixões.

Nosso Senhor nos convida: “Quem quiser seguir-me, negue a si mesmo, carregue sua cruz e me siga” (Mt 16, 24). Negar a si mesmo é negar as próprias vontades, que são manchadas pelo nosso pecado. Negar a si significa abrir mão dos próprios prazeres terrenos, adotando para si as cruzes purificadoras que Nosso Senhor nos oferece para carregarmos com Ele. Se queremos nos unir a Cristo, teremos que nos unir em tudo. Imitar sua vida desde sua simplicidade e humildade em Nazaré até a Paixão, Morte e Ressurreição.

“Primeiro ocorre à mente um simples pensamento, donde nasce a importuna imaginação, depois do deleite, o movimento; e assim, pouco a pouco, entra de todo na alma o malvado inimigo, porque não se lhe resistiu a princípio” (Imitação de Cristo, Cap 13, nº 5). Por isso é preciso cortar o mal desde a raiz, é preciso logo no início da tentação dizermos “não”. Dizendo o “não” vai cair uma cruz em nossos ombros. Essa cruz nos é dada por Nosso Senhor para o seguirmos, sendo que Ele leva a maior parte do peso.

São Luís de Montfort em sua obra “Amour de la Sagesse Eternelle” nos diz: “Todos os que são de Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscência, trazem sempre a mortificação de Jesus em seus corpos, fazem violência a si mesmos, levam sua cruz todos os dias, e enfim morreram para serem sepultados em Jesus Cristo”. Enfim, é preciso nos livrarmos do espírito do mundo que é “uma repugnante concupiscência da carne, que nos leva a sórdidos gozos sensuais; uma avarenta concupiscência dos olhos, que adora os mesquinhos bens da terra; uma orgulhosa soberba da vida, que idolatra honras imerecidas” (D. Antônio M. A. de Siqueira).

Como Maria cumpriu perfeitamente todas as prerrogativas para seguir Jesus Cristo, ninguém melhor que Ela para imitarmos no seguimento a Jesus. Maria se uniu perfeitamente ao Cristo, tomando-a como exemplo, e com sua ajuda maternal, poderemos também buscar essa união. A escravidão de amor que nos propomos consiste exatamente nos colocarmos inteiramente à disposição de Nossa Senhora e seguirmos suas ordens.

Viver a Consagração Total, entre outras coisas, consiste em “desapegar o coração dos bens, e possuí-los como se não fossem possuídos, sem solicitude para consegui-los, sem inquietações para conservá-los, sem queixas ou impaciências ao perde-los, [...] não obedecer às máximas do mundo, não pensar, falar e agir como fazem os mundanos [que] não mentem abertamente, mas disfarçam as mentiras sob as aparências de verdade; creem não mentir, e, todavia, mentem. Não ensinam abertamente o pecado, mas o chamam virtude, honra, decência ou coisa indiferente e sem importância” (São Luís Montfort).

Não é fácil praticar todo esse desapego do mundo. Mais, é impossível para nós fazermos isso sozinhos. Precisamos da graça de Nosso Senhor para nos sustentarmos. Maria, como medianeira de todas as graças, por quem todas as graças passam pelas mãos, distribui as graças aos seus filhos, mas é preciso fazermos a nossa parte e, vivendo a consagração total, ou seja, vivendo as promessas do batismo estaremos cumprindo nossa parte da tarefa.
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