Dia 4: As Máximas do Mundo (Consagração a Nossa Senhora)



“A suprema sabedoria é essa: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus” (Imitação de Cristo Liv 1, Cap 1).

Jesus nos ensina a nos desapegarmos das coisas mundanas, desde objetos materiais até os abstratos como honras. “Não resistais ao malvado” (Mt 6,39), ou seja, não resistais às coisas mundanas, mas antes despreza-as. Despreza a honra oferecendo a outra face em vez de revidar por pura vingança. Despreza os bens materiais: “Ao que pleitear contigo para tirar-te a túnica, deixa-lhe também o manto” (Mt 6,40); “Dá a quem te pede, e não rejeites quem te pede emprestado”.

Nós temos a infeliz tendência a quanto mais termos, mais desejamos. “Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir” (Ecl 1,8), em suma, nunca nos saciaremos com as coisas sensíveis, pois somente as espirituais podem nos satisfazer verdadeiramente. “Procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis” (Imitação de Cristo, Liv1, Cap 1).

Está na Palavra que Deus resiste aos soberbos e sede aos humildes. A humildade é uma das principais virtudes para alcançar a santificação. Ela nos ajuda a nos desapegarmos das coisas do mundo, pois ela é o contrário da soberba, o pecado de Lúcifer, que o levou à queda, a origem de todo o pecado. O que seduziu Eva no paraíso foi a vontade de ser como Deus e não se submeter a Ele.

“Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 6,48). Para sermos, portanto, perfeitos, é necessário nos opormos às máximas do mundo. É preciso aderirmos à Verdadeira Sabedoria, resistindo à falsa sabedoria do mundo e suas máximas – “uma contínua tendência para as grandezas e estima; uma busca infatigável e secreta do próprio prazer e interesse próprio, não de maneira grosseira e chocante, em pecados escandalosos, mas de modo elegante, falacioso e político” (Montfort, Amour de la Sagesse Eternelle).

Na obra de São Luís de Montfort citada anteriormente, ele descreve muito bem o “sábio mundano”, que é exatamente o oposto do verdadeiro sábio, aquele que busca a Verdadeira Sabedoria, Jesus Cristo.

“Um sábio mundano é um homem que, guiando-se somente pela luz dos sentidos e da razão humana, não pretende senão revestir-se das aparências de cristão e honesto, sem se preocupar muito em agradar a Deus e expiar pela penitência os pecados com que ofendeu a Divina Majestade”. [...] Os sábios mundanos não pensam, não falam, não agem, senão para alcançar ou conservar qualquer ganho terreno, não se importando de sua salvação e dos meios de a conseguir. [...] De si afastam tudo o que poderia mortificar ou incomodar o corpo, como jejuns e austeridades, [...] ordinariamente, não pensam mais que em comer, beber, divertir-se, rir, passar agradavelmente o tempo. [...] Aspiram a, muito embora secretamente, grandezas, honras, dignidades e cargos elevados, se esforçam para serem vistos, estimados, louvados e aplaudidos pelos homens”.

A verdadeira sabedoria é aquela que “não busca seu interesse, que não é da terra, nem se encontra no coração dos que vivem em seus cômodos, e que abomina tudo o que é grande e prestigioso aos olhos dos homens”.

Para contrapor as Máximas do Mundo, que levam à falsa sabedoria, é preciso seguir as Máximas de Jesus Cristo e, assim, obtermos a Verdadeira Sabedoria. As Máximas de Jesus Cristo é o tema das meditações de amanhã e depois.





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