Dia 9: Julgamento do Escravo do Mundo e do Escravo de Amor a Maria (Consagração a Nossa Senhora)

 

“Quando chegar o Filho do Homem com majestade, [...] separará um dos outros como um pastor separa as ovelhas das cabras. [...] Então o rei dirá [...]: Vinde benditos do de meu Pai, para herdar o reino preparado para vós desde a criação do mundo, [...] afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o Diabo e seus anjos” (Mt 25, 31;32;34;41).

Todos nós vamos passar pelo tribunal celeste que terá como Juiz Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho da Virgem Maria. Neste momento seremos desnudados e nada passará em branco, pois tudo Deus sabe. A vida que levamos aqui na terra será passada como um filme diante de nós e teremos que prestar contas de tudo que fizemos e deixamos de fazer. Os bons, entrarão para a felicidade eterna, os maus cairão na eterna tristeza.

A sentença será uma consequência da nossa escolha entre acolhermos o espírito do mundo ou o espírito de Jesus. Diante dos que viveram no espírito mundano, passarão diante dos seus olhos “as graças recebidas e desprezadas, as luzes misericordiosas, escurecidas pelo fumo das paixões, os exemplos e estímulos dos bons, tornados em ridículos. [...] O escravo de amor a Maria desprezou o juízo fátuo dos mundanos. E agora é misericórdia para ele o exame minucioso de todas as suas pequenas vitórias, virtudes ocultas, renúncias quotidianas” (D. Antônio Maria Alves de Siqueira, Consagração a Nossa Senhora).

Os escravos de Maria quando vivem verdadeiramente a escravidão de amor, terão como advogada a Santíssima Virgem que é Mãe de Deus e também nossa Mãe. A partir do momento que nos consagramos com firme propósito, Nossa Senhora estará conosco para nos ajudar a realizarmos boas obras e caminharmos para a vida eterna.

Como diz São Luís de Montfort em uma de suas obras: “Parece-me ver esta amável Soberana convocar de novo, por assim dizer, a Santíssima Trindade, para restaurar o homem, como o fizera para cria-lo. [...] Cumpre ter piedade dele porque pecou mais por fraqueza e ignorância do que por malícia. Ela considera que, de um lado, é grande pena destruir-se tão bem acabada obra prima, e que tantos milhões e milhões de homens para sempre se percam pelo pecado de um só. E, de outro, mostra os lugares do céu, tornados vazios pela rebelião dos anjos prevaricadores que convém substituir, se o homem for salvo".

No 24º capitulo do primeiro livro do Imitação de Cristo, o autor mostra de forma bem interessante como se dará o julgamento final dos escravos do mundo e dos escravos de Jesus.

Eis o que espera quem vive para o mundo: “Não há vício que não tenha o seu tormento especial. Ali, os soberbos serão acabrunhados de profunda confusão, e os avarentos oprimidos com extrema penúria. Ali será mais cruel uma hora de suplício do que cem anos aqui na mais rigorosa penitência. Ali não há descanso em consolação para os condenados, enquanto aqui, às vezes, cessa o trabalho e nos consolam os amigos”.

Por outro lado, “se verá que foi sábio, neste mundo, quem aprendeu a ser louco e desprezado, por amor de Cristo. Então dará o prazer toda tribulação, sofrida com paciência e a ‘iniquidade não abrirá sua boca’ (Sl 106,42). Então se alegrarão todos os piedosos e se entristecerão todos os ímpios. Então mais exultará a carne mortificada, que se fora sempre nutrida em delícias. Então brilhará o hábito grosseiro e desbotarão as vestimentas preciosas. Então terá mais apreço o pobre tugúrio que o dourado palácio. Mais valerá a paciente constância que todo o poderio do mundo. Mais será engrandecida a singela obediência que toda a sagacidade do século. Mais satisfação dará a pura e boa consciência que a douta filosofia. Mais valerá o desprezo das riquezas que todos os tesouros da terra. Mais te consolará a lembrança duma devota oração que a de inúmeros banquetes. Mais folgarás de ter guardado silêncio, do que ter falado muito. Mais valor terão as boas obras que as lindas palavras. Mais agradará a vida austera e árdua penitência que todos os gozos terrenos”.

Em suma, viver firmemente a Santa Escravidão de Amor aqui na terra pode, a princípio, parecer bastante exigente e pesado, mas tudo isso será compensado de forma abundante e nos preparará para o céu.





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