Deus Age e Concede Graças aos Justos



"Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações.
Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.
Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.
Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.
Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus".
(Mt 1, 16-25)


As atitudes, pensamentos e intenções de São José e como Deus interviu diante disso nos mostra como agrada o Altíssimo a justiça, a pureza, a confiança e a prudência. José, mesmo diante de uma possível traição, não agiu por impulso, não deixou a raiva e o espírito de vingança tomarem conta do seu coração. Muito pelo contrário...

Aos olhos puramente mundanos Maria havia traído José. A gravidez dela era uma prova cabal de tal fato.

São José em sua pureza e confiança não enxergava como a Virgem Santíssima poderia sequer pesar em cometer algo tão sórdido como uma traição, a quebra de uma aliança entre eles diante de Deus. A confiança do santo patriarca não era somente em Maria, que era a mais merecedora de confiança entre todas as criaturas, mas em Deus também que deu para ele a Santíssima Esposa. A pureza de pensamento de São José não permitia que ele ficasse imaginando situações diversas de traição e inúmeras desculpas que poderiam ser dadas para cobrir um adultério. Se o seu pensamento não fosse tão puro e livre de maldades, certamente teria tomado uma atitude diferente e cometido a maior das injustiças que teria acontecido em toda a eternidade, afinal, seria apedrejada e morta a Virgem das virgens e, consequentemente, o Salvador do mundo.

José, cuja Palavra de Deus o exalta chamando-o de “justo”, tinha receio de cometer a menor das injustiças. Uma injustiça, por menor que fosse, para São José parecia uma aberração. Por isso ele também era dotado de uma “prudentíssima prudência”.

Se Maria diz a verdade, deve ter pensado São José, repudiá-la iria prejudicar toda a humanidade. Se não repudiar Nossa Senhora, para os juízes e guardiões das leis, ele estaria violando as Leis de Divinas. Tudo isso demandava muita prudência. Assim, José pensa em repudiar Maria em segredo, o que remete ao fato dele ter pensado em abandoná-la. Desta forma, Maria passaria a ser vítima dele diante da sociedade. Vale lembrar que naquele tempo, para uma mulher, o repúdio significava, se não a morte, a destruição completa da vida. Já para um homem, apesar de ser difícil uma vida de exílio por descumprir a lei, poderia ser vivida.

Certamente São José prefere sofrer um exílio do que cometer uma injustiça. Tamanha bondade, tamanha prudência, tamanho senso de justiça, tamanha confiança em Deus (e, porque não?, em Nossa Senhora) fez com que Deus enviasse um anjo para orientá-lo.

São José, obedientíssimo, fez exatamente como Deus mandou. Recebeu Maria como esposa, mesmo grávida, e assim foi elevado ao altíssimo grau de dignidade de “pai do Filho de Deus” e “Protetor da Virgindade Perpétua e Pureza da Mãe de Deus”, tornando-se o mais honrado e elevado dos santos, depois de Jesus e Maria.

O prudentíssimo, justíssimo, obedientíssimo e puríssimo São José não teve medo, ao aceitar Maria, das consequências deste seu ato. Confiou inteiramente em Deus e obedeceu minunciosamente a todas as suas ordens.

José se humilhou, certamente sofreu injúrias, repúdios e escárnios por ter acolhido uma mulher grávida que, aos olhos do mundo, cometeu um adultério. Mas, o que é tudo isso diante das maravilhas eternas que Deus reservou para o santo patriarca? São José já começou a gozar dessas maravilhas ainda neste mundo, vivendo muitos anos com Jesus e Maria.

Assim, Deus nos ensina: Quem acolhe a Mãe necessariamente acolhe o Filho, quem acolhe o Filho acolhe também a Mãe e quem acolhe ambos pode gozar, ainda na terra, das maravilhas que Deus pode nos dar em graças.




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