A Importância da Harmonia e do Equilíbrio



"Meu espírito se compraz em três coisas que têm a aprovação de Deus e dos homens: a união entre os irmãos, o amor entre os parentes, e um marido que vive bem com sua mulher. Mas há três espécies de gente que minha alma detesta, e cuja vida me é insuportável: um pobre orgulhoso, um rico mentiroso e um ancião louco e insensato. 

Como acharás na velhice aquilo que não tiveres acumulado na juventude? Quão belo é para a velhice o saber julgar, e para os anciãos o saber aconselhar! Quão bela é a sabedoria nas pessoas de idade avançada, e a inteligência com a prudência nas pessoas honradas! A experiência consumada é a coroa dos anciãos; o temor de Deus é a sua glória."

(Eo 25, 1-8)


A harmonia e o equilíbrio são o centro para trilhar na estrada da vida em direção a Deus, principalmente dentro de uma família. Uma família harmônica e equilibrada é a base para formar pessoas nas virtudes e para povoar o céu.

Infelizmente estamos em um mundo onde está se tornando cada vez mais raro ver famílias completas (pai, mãe e filhos), harmônicas e equilibradas. Isso traz como consequência direta a formação do “pobre orgulhoso”, do “rico mentiroso” e do “ancião louco e insensato”. Todos com algo em comum: a falta de virtudes e podemos, por assim dizer, que o último, ao “ancião louco e insensato”, é o fechamento, a conclusão do processo degradativo: “Como acharás na velhice aquilo que não tiveres acumulado na juventude?”.

O pobre orgulhoso é aquele que ada tem, mas quer a mesmas honras de quem tem e merece. O orgulho acaba o conduzindo para a inveja e uma sede de vanglória, fazendo a pessoa pensar em si apenas, alimentando um egoísmo doentio e que muitas vezes desestabiliza ainda mais o ambiente em que vive.

O rico mentiroso é aquele falso, aquele que diz ser o que não é, que faz os outros acreditarem que ele é cheio de virtudes, se porta como se tivesse e faz uso disso para enganar os demais. Para sustentar sua mentira, não raro também, terá que passar por cima dos outros e, na verdade, começa a se mostrar, e os outros a perceber, que nada mais é do que um pobre orgulhoso citado anteriormente.

Como uma “escadinha”, o “ancião louco e insensato” é aquele que já está tão imerso nas mentiras próprias que já as toma como verdade, perdendo completamente a noção de realidade e de fato vivendo como um louco, num mundo que só ele enxerga, e da forma dele, julgando como louco os que não aderem ou não compreendem seu “mundo paralelo”. Essa pessoa perdeu completamente a capacidade de julgamento, a insensatez é tamanha que ele realmente crê naquilo que inventa sobre algo ou alguém. Essa pessoa perdeu completamente a capacidade de discernir e de reconhecer a Verdade. Assim, ela vive sempre na escravidão do próprio corpo e coração (emoções), manchados pelos pecados e guiados pelas paixões. Esse se tornou algo bem próximo dos animais que agem por instintos e buscam se satisfazer, apenas.

Já as pessoas que têm a graça de conviver em harmonia e equilíbrio muito provavelmente será um ancião que julga bem e pode aconselhar os mais novos. Elas, cheias de virtudes bem trabalhadas se encherão de Sabedoria e poderão partilhar, transmitir, deixar como herança a coroa da experiência que certamente dirá, com a própria vida, que toda a honra e glória são de Deus, que somos um nada, que tudo do bom que somos e fazemos é puramente por graça. Poderão viver na Verdade, com a Verdade e para a Verdade.

Assim, harmônica e equilibrada, unida, amando os parentes e casal vivendo um para o outro, com toda certeza era a Sagrada Família, o exemplo mais perfeito de família que o ser humano pode ter. Maria e José eram recheados de virtudes e transmitiram de forma perfeita e plena para Jesus, a própria Verdade. Maria e José formaram a Verdade, vivendo na Verdade, com a Verdade e para a Verdade.

Maria e José estiveram sempre unidos, formando tão perfeitamente como uma só carne, emoções conjuntas, amor conjunto, tudo recíproco. Tudo isso mesmo passando por grandes dificuldades e angústias, principalmente enquanto Jesus ainda estava no ventre de Maria e quando viveram como exilados. Maria e José amavam os parentes de forma exemplar, exemplo disso podemos ver na visitação que Nossa Senhora fez a Santa Isabel quando esta, na velhice, estava grávida de João Batista, ficando com ela até o nascimento do último profeta, santificando-o. Jesus não teve irmãos, Maria e José não tiveram mais filhos, mas podemos considerar que o amor aos parentes era tão grande, tão perfeito, que era como se fossem.










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