Buscai o Reino de Deus e Não Vos Preocupeis com o Amanhã


"Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.

Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.

Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?

Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
 Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado."

(São Mateus, 6)


A confiança em Deus unida a uma saudável desconfiança em si ajuda-nos a combater a ansiedade que, geralmente, é fruto de frustrações por confiarmos demasiadamente em nossas próprias forças.

No mundo em que vivemos hoje, um mundo que valoriza demais o prazer, chegando ao ponto de se dizer que “viver sem prazer é não ter vida, é apenas sobreviver”, encontramos em todos os cantos, para onde a gente olhe, as “mensagens motivacionais” e elas quase sempre fazem apelo às capacidades de si próprio. O problema é que no nosso íntimo sabemos muito bem das nossas limitações, embora tentemos mascará-las, inclusive nos enganando e nos convencendo da mentira que criamos para nós mesmos.

Estamos em um mundo que desejamos ter o controle sobre tudo. Desejamos controlar ações da natureza, controlar nossos pensamentos, controlar nossos sentimentos, controlar totalmente as nossas vidas. Muitas vezes, a custo de remédios... O mundo, a todo tempo, nos exorta a termos controle de tudo. Mas, infelizmente, não está ao nosso alcance ter controle dos acontecimentos. E no íntimo sabemos disso! Daí aparece a ansiedade que nos massacra até o acontecimento do evento que nos deixa ansiosos.

Isso tudo nada mais é do que confiar mais em si do que confiar em Deus. Repare que não estou dizendo que não há uma confiança em Deus, mas que há uma confiança exagerada em si próprio. Inclusive, confiamos tanto em nós mesmos que nos escalamos para sermos instrumentos das ações de Deus e nos magoamos quando não somos escolhidos ou não recebemos a aptidão para tal. Confundimos disponibilidade, o pôr-se à disposição, com uma autoconfiança soberba. Confiamos tanto em nós mesmos que pedimos a Deus insistentemente que Ele faça o que nós achamos ser melhor para nós. Sendo que o Evangelho nos ensina exatamente o contrário.

“Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vos lho peças”. Jesus não nos exorta a não pedir. Não! Ele nos chama a atenção para o fato de sermos insistentes, repetindo incansavelmente os nossos pedidos e esquecendo que Ele sabe o que é bom para nós e que devemos ter a confiança que ele atenderá os nossos pedidos se eles forem bons, se nos conduzirem à nossa Salvação e/ou dos outros, ou, pelo menos, que não nos leve à perdição, dando-nos consolo se ele achar que merecemos.

Insistir nas orações, da maneira que Jesus nos repreende, sem essa confiança em Deus e uma confiança soberba em nós próprios nada mais é do que tentar vencer Deus pelo cansaço. Tentar fazer com que Deus, através da “força da quantidade” se veja obrigado a fazer a nossa vontade e não a vontade dele. É mais que uma paganização, é uma inversão total! Em vez de servirmos a Deus, nós queremos que Deus nos sirva. Isso é de uma estupidez monumental! Somos limitados, não temos a visão do todo e não sabemos do futuro. Deus, ao contrário, sabe de tudo isso.

Oh, quanta bondade do Altíssimo em não nos atender diversas vezes! Se nos atendesse sempre, quantas vezes não teríamos quebrado a cara e nos machucados? Quantas almas estariam hoje no inferno se Deus tivesse atendido a seus pedidos? Quantos santos deixariam de ser formados?

Olhemos para Maria que confiante em Deus e totalmente entregue, sempre tem seus desejos atendidos, não porque Ela tenha grande poder diante de Deus, mas porque sua confiança configura sua vontade à vontade de Deus. Olhemos para Nossa Senhora que, confiante, se fecha no seu quarto para rezar e mais ouve do que fala, mais recebe ordens de serviços do que faz pedidos, mais contempla do que chama a atenção para si. Mais busca realizar a vontade de Deus do que a própria.

Nossa Senhora, antes de tudo, buscava o Reino de deus e sua justiça. Assim, teve todas as demais coisas acrescentadas. A confiança de Maria não permitia que ela se preocupasse, se afligisse, com o amanhã, bastava cuidar do presente, pois o amanhã a Deus pertence e ela sabia de sua pequenez, de sua limitação como criatura, por isso foi exaltada ao mais alto grau que uma criatura poderia ser alçada.





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