Da Confiança em Deus se Obtém Auxílios e Consolos



"Oração de Davi. Inclinai, Senhor, vossos ouvidos e atendei-me, porque sou pobre e miserável. Protegei minha alma, pois vos sou fiel; salvai o servidor que em vós confia. Vós sois meu Deus; tende compaixão de mim, Senhor, pois a vós eu clamo sem cessar.

Consolai o coração de vosso servo, porque é para vós, Senhor, que eu elevo minha alma. Porquanto vós sois, Senhor, clemente e bom, cheio de misericórdia para quantos vos invocam.

Escutai, Senhor, a minha oração; atendei à minha suplicante voz. Neste dia de angústia é para vós que eu clamo, porque vós me atendereis. Não há entre os deuses um que se vos compare, Senhor; não existe obra semelhante à vossa. Todas as nações que criastes virão adorar-vos, e glorificar o vosso nome, ó Senhor. Porque vós sois grande e operais maravilhas, só vós sois Deus.

Ensinai-me vosso caminho, Senhor, para que eu ande na vossa verdade. Dirigi meu coração para que eu tema o vosso nome. De todo o coração eu vos louvarei, ó Senhor, meu Deus, e glorificarei o vosso nome eternamente. Porque vossa misericórdia foi grande para comigo, arrancastes minha alma das profundezas da região dos mortos.

Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, uma turba de prepotentes odeia a minha vida, eles que nem vos têm presente antes os olhos. Mas vós, Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo; lento para a ira, cheio de clemência e fidelidade. Olhai-me e tende piedade de mim, dai ao vosso servo a vossa força, salvai o filho de vossa escrava. Dai-me uma prova de vosso favor, a fim de que verifiquem meus inimigos, para sua confusão, que sois vós, Senhor, meu sustento e meu consolo." 
(Salmos 85)



Quando Maria recebeu o anúncio que ela tinha encontrado graça diante de Deus e que seria a Mãe do Salvador por obra do Espírito Santo, Nossa Senhora se entregou inteiramente à providência divina, tal como uma criança se entrega totalmente à sua mãe (cf. Lc 1, 26-38).

Melhor quadro para compreender a reciprocidade de Deus aos que se entregam confiantes a Ele, impossível. Deus quer se entregar e chama, a pessoa corresponde e Ele se entrega. Maria, como filha, se entrega ao Pai e deposita toda a sua confiança no Altíssimo. Deus, por sua vez, se faz Filho de Maria, entregando-se perfeitamente e confiantemente à Santíssima Virgem.

Diante de tudo isso, nada mais importa à Santíssima Virgem de Nazaré a não ser o próprio Deus Encarnado. Pouco importa o que vão pensar dela, pouco importa o que vão fazer com ela, pouco importa de como será a vida dela dali para frente. Nossa Senhora está nos braços de Deus! Maria tem a plena convicção de que tudo o que vier a acontecer a ela será porque Deus assim quis e permitiu. Uma mãe jamais quer o mal do seu filho que tanto ama. Deus, com um amor infinitamente maior, não vai querer e permitir nenhum mal a quem nele confia e se entrega.

Nossa Senhora também sentia medo, dor, sofria, chorava... Ela é humana, tem a mesma natureza nossa. Contudo, a Virgem Plena de Graça tem um amor quase infinito e uma confiança inabalavelmente perfeita. Só essa confiança no amor já é um consolo perfeito.

A obra que a Puríssima Virgem realizava vinha de Deus, estava totalmente na Vontade de Deus, à mercê dos desígnios e das providências de Deus. A vontade de Nossa Senhora é tão perfeitamente conforme à vontade de Deus, que podemos dizer que a Vontade de Maria é a própria Vontade de Deus. Como diz um santo: “Maria nada deseja que Deus já não desejasse muito antes”. Logo, sendo sua vontade a vontade de Deus e como a vontade precede a ação, as ações, as realizações, os pensamentos, de Nossa Senhora eram também de Deus.

Vindo de Deus, não há necessidade de justificativas, explicações, defesas... Tudo se justificará, explicará e se defenderá no momento mais oportuno. Maria não precisou se justificar, explicar ou se defender para José, Deus fez isso. Ela precisou apenas dizer a Verdade, sem voltas, falar a realidade tal como ela é, sem fantasias: Um anjo apareceu para mim e eu concebi pelo Espírito de Deus. Isso bastava. Quem estivesse aberto à verdade iria crer. Quem não estivesse, não iria ter o canal aberto para aceitar, acolher e desfrutar da Verdade.

Para a Verdade, Jesus, entrar é preciso se abrir e estar receptivo a Ele. A Verdade se impõe, mas não invade a liberdade de aceitar ou não. Aquele que não estiver aberto à recebe-la conseguirá inventar inúmeras desculpas para justificar seu ceticismo cego.

Quem confia se torna receptivo ao que o outro têm a dizer e está disposto a crer nas palavras proferidas. Se tratando de Deus, quem confia se abre para a Verdade entrar, para realizar suas obras e dela virá também os consolos e auxílios necessários para a sua salvação e dos que creem.









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