O Fruto de Casais Virtuosos é Cristo


"Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías.

Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor. E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.

Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir. Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?"

(Lc 4, 16-22)


José recebeu Maria em sua casa. Ao receber a Mãe, o Filho, que nunca se separa da Mãe, vem com Ela. Foi por Maria que José recebeu Jesus. Foi por Maria que José se tornou o pai de Jesus.

Quando um casal se une no amor, os filhos podem ser considerados a materialização deste amor. Consequentemente, se um casal vive de forma reta, nas virtudes, principalmente as inerentes ao matrimônio, os filhos serão bons frutos dessa união. Mas, se a união do casal se dá por coisas efêmeras, coisas baixas ligadas puramente ao pecado, principalmente os chamados pecados capitais, os frutos dessa união não serão tão bons.

José e Maria se amavam e estavam ligados por um amor virtuosíssimo. Não a toa que o fruto deste amor foi Jesus. Sim, é verdade, São José e Maria não se conheceram carnalmente através do sexo, o amor entre eles extrapolava essa questão puramente carnal. A união deles, como marido e mulher, era perfeita, extrapolava a carne. Eles se uniram em alma. O casal de Nazaré pode ser considerado a perfeição do que se diz da união de corpo e alma.

Somos tão pobres de virtudes, que para nós é impossível compreendermos o amor do santo casal e compreender como era a relação carnal deles, mas basta dizer que deles brotou Jesus. Temos tantas dificuldades em entender, que podemos ser comparados aos judeus que desprezaram Jesus, o Fruto do ventre de Maria e que foi guardado por José, na sinagoga quando o Filho de Deus leu a profecia de Isaías.

É de suma importância que um casal entenda os seus papéis no relacionamento. É salutar compreender que Deus uniu os dois com um propósito que foge do nosso entendimento e que devemos, se quisermos ser perfeitos, se quisermos ser felizes, tomar como exemplo os casais virtuosos, principalmente os Santos Esposos de Nazaré e ter uma devoção especial à Sagrada Família.

José recebeu Maria, acolheu, cuidou, preservou, guardou, protegeu, entregou-se por completo à sua esposa. Maria se deixou acolher, se deixou cuidar, se deixou preservar, se deixou guardar, se deixou proteger, enfim, confiou inteiramente em seu marido, se entregou totalmente, em retribuição a tudo isso foi o que chamamos de submissa no sentido cristão do termo.

Com toda certeza São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, viu (por relatos) na relação de São José e Nossa Senhora o exemplo terreno do que escreveu:

“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja - porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne (Gn 2,24). Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja. Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.” (Ef 5, 21-33).

Não há dúvida que José cumpriu seu papel de marido, de forma perfeita como relatado por São Paulo na carta aos Efésios, tanto que Nossa Senhora é pura, imaculada, virgem perpétua, sem ruga e sem mancha. Também não há dúvida que Maria cumpriu o seu papel de forma perfeitíssima por ser tudo isso. Sim, a Santíssima Virgem foi preservada do pecado na sua concepção (Imaculada Conceição), mas Deus é o Senhor do tempo, para Ele não há tempo, e tal preservação também teve José em vista.

Quando os judeus, com desdém, indagaram se Jesus não era o filho de José (o carpinteiro), na verdade foi uma elevação de São José, uma confirmação de suas virtudes. Sim, Jesus é o filho de José, o fruto humano de José e Maria. Jesus foi criado, educado, cuidado, alimentado, pelo santo casal de Nazaré. Jesus, para ser perfeitamente humano precisava crescer numa família perfeita.

Assim deve se portar um casal para gerar filhos, gerar membros do corpo místico de Cristo. A principal missão de um casal é povoar o céu e isso é possível e provável com um casamento fincado nas virtudes. O fruto de casais virtuosos é Jesus.





Comentários